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O Recanto da Gal agora é meu

Quem nunca ouviu falar da Gal Costa? Aquela dos Festivais da Canção, da Tropicália, dos Doces Bárbaros, dos cabelos de leão e que eu, durante anos, achei que fosse a irmã do Caetano Veloso?

Creio que poucos.

E quem já foi capaz de esquecer aquela voz única, transcendental, cheia de sensualidade e força, ainda que a tenha ouvido somente uma vez?

Posso arriscar que ninguém.

Os mortais capturados pelo canto da sereia do mar da Bahia no mínimo admiram e respeitam o talento da artista.

No outro extremo, figuram os aficionados, os fãs de carteirinha, os apaixonados pela maior musa da MPB. E ai de quem diga que há concorrência!

Enquadrava-me eu na categoria intermediária, de admiradora de ocasião, do tipo tocou-canto-junto-e-feliz, tendo adquirido uns poucos discos ao longo de sua carreira.

Até agora.

 

Acontece que no meu aniversário mais recente, em março deste ano, ganhei de presente de uma pessoa muito querida um DVD recém-lançado chamado Recanto.

Meio sem graça, meu amigo tentou se justificar, confessando que não resistira ao lançamento do show no formato de levar pra casa e apesar de saber que o regalo era muito mais a cara dele que a minha, decidiu comprá-lo e pronto.

Falei logo, a fim de aplacar sua angústia:

– Fique tranquilo. É claro que eu vou gostar.

Mas qual não foi a minha surpresa ao degustar cada uma das músicas, novas e antigas, inéditas e repaginadas, reunidas com tamanho esmero naquele objeto tão pequeno e aparentemente inofensivo.

Sinto-me autorizada a falar sobre esse trabalho musical, pois guardo a imparcialidade dos “não loucos pela Gal a vida inteira”.

Desde a primeira luz que acendeu o rosto da artista no pequeno grande palco até o último som saído de sua boca fiquei absolutamente hipnotizada.

Era impossível tirar os olhos dela e afastar os ouvidos de sua voz.

Vestida de preto dos pés à cabeça, por vezes ela parecia estar nua, crua, despida de convenções sociais, de preconceitos, de farsas.

Gal estava ali exposta, entregue à sua arte e ao seu público, inteira, intensa, sendo todas em uma só.

Em certas canções, virava menina. Já noutras, incorporava o espírito contestador e perdia o sexo, a idade; enquanto eu, do outro lado da tela, perdia a fala.

Tudo muito bem cuidado, a começar pela contundência sensível da iluminação, transitando pela diversidade do repertório e abraçado pelo clima de liberdade entre a cantora e os três “meninos” que a acompanhavam em grande estilo.

O DVD é uma joia. Mas, acima de tudo, impactante.

A partir de Recanto, tornei-me suspeita para escrever uma linha sequer sobre essa mulher fantástica e sua incrível capacidade de se reinventar sem perder um milímetro da essência.

Só digo mais uma coisa: o nome dela é GAL e pra sempre será.

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12 comentários sobre “O Recanto da Gal agora é meu”

  1. Se tem uma pessoa alucinada pela Gal, essa sou eu…rs
    Desde a adolescência quando assisti à um show ao vivo…encantadora…linda….
    mais nada, ou quase nada….só muita emoção…te amo Gal!!!!!

  2. Texto sensacional, lembro de uma frase da inesquecível Elis Regina: “Neste país, só há duas que cantam: Gal e eu.”. tenho todos os discos e o inicio da carreira dela é insuperável, tudo o que se faz hoje na musica brasileira, Gal já fez!!!!

  3. Lindo texto e totalmente fora de alguma suspeita. Mais uma jovem para a lista imensa de fãs “juvenis”… Gal Sempre Gal.

  4. Lindo este texto. É o resumo de qualquer um – ainda “não fã” – deve sentir ao vê-la (ou ouvi-la) cantanto pela primeira vez. Gal impacta com sua presença e voz mas, acima de tudo com sua personalidade musical (e, também, pessoal). Parabéns pelo belo texto e, mais ainda, por conseguir transpor com exatidão e verdade o seu sentimento pela Maior Cantora do Mundo. Beijos no coração.

  5. Claudinha, a Gal é uma cantora incrível e você é uma escritora incrível. Amei o texto. Já estamos esperando pelos próximos!

  6. Nunca houve uma cantora(nem mais bela) do que como Gal…a mais completa de todas, plural , talentosa e singularíssima. A Elis Regina -estupenda, também- dizia que a Gal é a sabiá da MPB. E é, mesmo.Ela é MaGalnífica!

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